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ACOS - Associação de Agricultores do Sul

Informação e Comunicação | Edição Nº 1/2024 | Ações de Informação PDR2020

25/03/2024

 

Soluções inovadoras de tratamento e valorização de águas residuais das agroindustrias

Com o objetivo de reforçar a informação e sensibilização sobre boas práticas e partilha de informação e de conhecimento entre a produção e a ciência, a ACOS foi procurar exemplos de soluções em torno do tratamento e valorização das águas residuais das queijarias e de outras agro-indústrias. E encontrou exemplos de economia circular com benefícios ambientais, empresariais e de estímulo à replicação de boas práticas que resultam da articulação e do trabalho conjunto.

 

Como as águas residuais das agroindústrias podem ser transformadas em mais-valias

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As agroindústrias, designadamente queijarias, lagares e adegas, produzem resíduos. Que, até há bastante pouco tempo, eram apenas um desperdício e, fundamentalmente, um problema ambiental. Problema que pode passar a mais-valia, a partir do momento em que a ciência entra em comunicação e articulação de esforços com a produção e a transformação agroalimentar.

Falamos do CEBAL – Centro de Biotecnologia Agrícola e Agroambiental do Alentejo que trata águas residuais agroindustriais e as integra num ciclo de reutilização e reciclagem de matérias e produtos transformando-os em importantes mais-valias. Em discurso direto, uma das responsáveis por um destes projetos, Rita Martins, fala-nos da importância deste tipo de abordagem, que alia a ciência e o conhecimento ao tecido produtivo, ajudando na identificação e na resolução de problemas do produtor. Identifica oportunidades, novos produtos, processos e serviços, aumentando a competitividade das empresas, e, por conseguinte, promovendo o desenvolvimento da região. Estas são apenas algumas das vantagens da aproximação entre a investigação científica e o setor produtivo. No entanto, como se pode perceber no decorrer da entrevista, muito caminho há ainda a percorrer neste processo inovador de diminuição da pressão sobre os ecossistemas e de resiliência perante as alterações climáticas.

 

Qual a importância destes projetos para o tecido produtivo, designadamente, as fileiras das agroindústrias? O que está a ser feito neste momento em termos práticos?

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Rita Martins: A realidade alentejana ao nível das soluções tecnológicas para o tratamento de águas residuais das indústrias do queijo, do vinho e do azeite apresenta-se ainda muito débil e com muitos desafios. Os tratamentos existentes não estão, muitas das vezes, adaptados aos contextos produtivos e não têm em conta as sazonalidades das produções. Há facilmente a falência dos métodos usados, não sendo a água tratada devidamente, impossibilitando o seu descarte natural em linhas de água ou em coletores municipais. Para os produtores isto é um grande problema, pois acumulam água não tratada e o processo produtivo não pode parar. O descarte indevido é punido por lei e acarreta multas ambientais avolumadas. Além disso, as soluções disponíveis não contemplam processos de valorização para os excedentes. Nos projetos que o CEBAL desenvolve, as fileiras agroindustriais podem beneficiar, por um lado de apoio, com orientações práticas, ao nível da gestão da água e do seu potencial de valorização, e por outro lado de apoio com recursos tecnológicos, pois temos unidades de processamento de água que permitem o tratamento das águas residuais e a recuperação e concentração dos compostos de valor acrescentado, com vista à sua valorização. E é isto que estamos a fazer, neste momento, em termos práticos.

 

A aproximação entre a ciência e o tecido produtivo pode representar múltiplas mais-valias para ambas as partes e para a região. Quer destacar algumas mais relevantes?

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Sem dúvida que a ciência e o conhecimento aliados ao tecido produtivo, só podem representar mais valias. Destaco, por um lado a forma como a ciência e o conhecimento podem ajudar na identificação e/ou na resolução de problemas do produtor, como também a identificar oportunidades, apoiando a inovação, através do desenvolvimento de novos produtos, processos e serviços, aumentando a competitividade da empresa, e, por conseguinte, promovendo o desenvolvimento da região. Além disso, destaco, com grande importância, o benefício de se estabelecerem relações interpessoais entre os “dois mundos” – investigador/produtor. Permite que ambos os atores entendam as suas diferentes realidades e consigam alinhar as suas expectativas, estabelecendo parcerias de confiança e duradoras, favorecendo o desenvolvimento de ecossistemas na região que contribuem para o crescimento de uma economia baseada no conhecimento.

 

Unidade Piloto de tratamento de águas residuais do IPBeja aberta a empresas da região

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No Instituto Politécnico de Beja foi implementada uma instalação piloto que, no âmbito do Projeto PIPA – Produtos Inovadores e Proteção Ambiental – “permite a realização de ações de demonstração em ambiente próximo do real para disseminação da tecnologia e conhecimento desenvolvido no tratamento de águas residuais”. Além de ensaios, esta unidade permite ainda o tratamento de efluentes de águas residuais de empresas da região que a ela recorrem.

Para obter mais informação sobre a importância deste projeto e quem a ele pode recorrer, falámos com duas das suas responsáveis: Adelaide Almeida e Alexandra Afonso, docentes e investigadoras do IPBeja. As declarações que se seguem são da Professora Adelaide Almeida que foi trocando impressões com a doutoranda Alexandra Afonso.

 

O IPBeja já trabalha com algumas empresas. Que procedimentos devem os produtores seguir para ter acesso a este serviço?

Adelaide Almeida: Quem tiver interesse deve entrar em contacto com o Instituto Politécnico de Beja. Atualmente temos protocolos com sete produtores (estabelecidos na altura do projeto). Neste momento temos um deles a utilizar este serviço de forma efetiva. É uma queijaria. Depois temos um produtor que tem este processo implementado num lagar de azeite da região e que está a ter muito bons resultados.

 

Queijaria do concelho de Beja ganhou prémio de economia circular com benefícios ambientais e empresariais

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Nuno Cavaco, responsável pela Queijaria Almocreva, no concelho de Beja, está a reaproveitar, desde 2019, as águas residuais da sua queijaria, o sorelho, para alimentação animal. Com este procedimento está a trabalhar em economia circular, com redução de custos, aumento de mais-valias na alimentação de suínos e com benefícios ambientais. Um processo inovador que lhe valeu um prémio, em 2019, na 2ª edição do Prémio Economia Circular nas Empresas do Baixo Alentejo e Litoral, da responsabilidade do NERBE e da CCDRA, com apoio do Fundo Ambiental.

Para ler na íntegra a entrevista com Nuno Cavaco, clique aqui.

 
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Esta Newsletter resulta de uma candidatura da ACOS ao PDR2020 - Operação 2.1.4 - Ações de Informação, co-financiada pelo FEADER, no âmbito do Portugal 2020, como forma de reforçar a comunicação, informação e sensibilização para boas práticas dos seus públicos-alvo:

- Ativos do Setor da Produção de Produtos Agrícolas,
- Ativos do Setor da Produção de Produtos Florestais,
- Ativos dos Setores da Transformação ou Comercialização de Produtos Agrícolas,
- Ativos dos Setores da Transformação ou Comercialização de Produtos Florestais

 
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